Em um cenário eleitoral que se intensifica, cresce a necessidade de cobrar políticas públicas eficazes e não apenas discursos
Em todo período eleitoral, o discurso se repete: mais segurança, mais proteção, mais atenção às mulheres. Mas, na prática, o que realmente muda?
A violência contra a mulher no Brasil não é novidade — e, infelizmente, também não é prioridade real na maioria das gestões. O que se vê são promessas genéricas, campanhas pontuais e pouca efetividade. Enquanto isso, mulheres continuam sendo agredidas, ameaçadas e, em muitos casos, mortas dentro de suas próprias casas. Um cenário gritante que em pleno mês de março nos mostra a cultura da sociedade a qual estamos inseridos.
É preciso dizer com clareza que não é falta de lei. O Brasil possui uma das legislações mais avançadas do mundo, como a Lei Maria da Penha. O problema está na execução. Falta estrutura, investimento, integração e, principalmente, vontade política.
Diante disso, o eleitor — e especialmente as mulheres — precisa mudar a forma de ouvir promessas. Não basta que candidatos afirmem que vão “combater a violência”. É necessário questionar: mas como?
Alguns pontos deveriam ser centrais em qualquer proposta séria: Delegacias da Mulher funcionando de forma plena, com equipes preparadas e atendimento 24 horas; Agilidade na concessão e fiscalização de medidas protetivas; Acesso a atendimento psicológico e suporte social às vítimas; Atendimento humanizado e preparado como se propõe na legislação; Integração entre saúde, assistência social e sistema de justiça e um dos eixos que visualizo como mais importante - o Investimento em educação preventiva, especialmente com jovens.
Sem isso, qualquer discurso não passa de retórica.
Mais do que nunca, o voto precisa ser consciente. Não se trata apenas de escolher um candidato, mas de exigir compromisso real com políticas públicas que salvam vidas. Observar histórico, ações concretas e posicionamentos anteriores é essencial — porque quem nunca priorizou o tema, ou já se envolveu em situações de violência, dificilmente começará a mudança agora, se não apenas, por conveniência eleitoral.
A violência contra a mulher não pode ser tratada como pauta secundária ou instrumento de campanha. É uma questão de dignidade, segurança e justiça.
Dra. Débora Garcia Duarte
Advogada. Mestre em Direito (UENP) Professora universitária.
Autora da obra Reveng Porn: a perpetuação da violência contra a mulher na internet e o poder punitivo.
Pesquisadora na área de direitos das mulheres e doutoranda.