Munícipe foi retirado à força por quatro pessoas, entre elas o presidente da Câmara, durante a sessão que aprovou um aumento dos salários dos vereadores de Avaré (SP), em dezembro do ano passado.
Os vereadores de Avaré (SP) instauraram uma Comissão Processante (CP) para investigar a conduta do presidente da Câmara Municipal, Samuel Paes (PSD), após o parlamenrar retirar um munícipe à força do plenário durante uma sessão ordinária em dezembro de 2025.
O g1 teve acesso ao documento, assinado pelos parlamentares nesta segunda-feira (2), que aponta que a comissão irá apurar uma suposta falta de decoro, termo usado para caracterizar conduta considerada inadequada e incompatível com a ética exigida do cargo público exercido pelo parlamentar.
Conforme definido em plenário, a presidência da CP ficará a cargo do vereador Hidalgo André de Freitas (PSD). O vereador Magno Greguer (Republicanos) atuará como relator, enquanto o vereador Moacir Lima (PSD) integrará a comissão como membro. O prazo para a conclusão dos trabalhos de apuração é de até 90 dias.
Discussão por aumento de salários
A CP foi aberta em razão de Samuel ter retirado um homem à força da sessão ordinária do dia 1º de dezembro de 2025. Na ocasião, foi aprovado o aumento de quase 80% no salário de todos os vereadores da cidade.
A discussão teria começado depois que o presidente da Câmara pediu que o homem se manifestasse de forma pacífica. Como o pedido não foi atendido, ele determinou que um funcionário o retirasse do local.
O momento da discussão foi gravado por pessoas que estavam no local. Os vídeos repercutiram nas redes sociais. Nas imagens, é possível ver que o munícipe é retirado com a ajuda de quatro pessoas, incluindo o presidente da Câmara.
Um boletim de ocorrência do caso foi registrado. Consta no registro que o munícipe não teria concordado com o aumento dos salários e resolveu protestar. À polícia, o homem relatou ter sofrido alguns arranhões no rosto e nos braços.
Segundo o relato de um dos funcionários, a medida foi adotada depois que o homem voltou a interromper a sessão, mesmo após ter sido advertido pelo presidente. Ao ser novamente repreendido, ele teria reagido de forma agressiva, provocando um tumulto no local.
A Câmara informou à época que a confusão foi registrada pelas câmeras de monitoramento e que não houve qualquer agressão por parte de Samuel ou dos servidores, mas sim imobilização. As imagens foram entregues às autoridades.
Nas redes sociais, o presidente classificou o episódio como "triste" e disse que o homem foi retirado para preservar a segurança do local.
O g1 questionar o parlamentar sobre a abertura da Comissão Processante, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.
O projeto aprovou o reajuste dos vereadores de R$ 6,6 mil para R$ 11,8 mil e o do presidente da Câmara de R$ 7,6 mil para R$ 13,6 mil. Além de décimo terceiro salário e férias anuais com acréscimo de um terço.
Segundo o projeto, os salários com o aumento passam a valer a partir da próxima legislatura, entre 1º de janeiro de 2029 e 31 de dezembro de 2032.
O projeto de lei de autoria da mesa diretora foi votado e aprovado durante a sessão extraordinária em discussão única. Ao todo, oito vereadores votaram a favor e quatro contra. Após a votação, um morador não concordou com a decisão, acabou protestando contra a proposta apresentada.
Veja quem votou a favor:
Ana Paula Tibúrcio de Godoy (Republicanos);
Everton Eduardo Machado (PL);
Francisco Barreto de Monte Neto (PT);
Hidalgo André de Freitas (PSD);
Jairo Alves de Azevedo (Republicanos);
Leonardo Pires Ripoli (Podemos);
Moacir Lima (PSD);
Pedro Fusco (PL),
Veja quem votou contra:
Adalgisa Lopes Ward (Podemos);
Luiz Cláudio da Costa (Podemos);
Magno Greguer (Republicanos);
Maria Isabel Dadário (Podemos).
Por g1 Itapetininga e região