Primos de Wadi Ibrahim Neto, professor de música que está internado em decorrência de uma insuficiência renal em Itapeva (SP), prepararam uma surpresa com cartazes, cartas e mensagens de apoio.
A música é uma das manifestações artísticas mais antigas e tem o poder de aproximar pessoas e fortalecer laços. Foi por meio dela que sete crianças encontraram uma forma especial de demonstrar carinho ao surpreender um primo internado com uma serenata em frente a um hospital de Itapeva (SP). A homenagem foi feita na sexta-feira (10).
O momento foi registrado por familiares. Nas imagens, as crianças aparecem segurando cartazes coloridos com mensagens de carinho e votos de pronta recuperação ao primo. Em seguida, elas cantam "Fico Assim Sem Você", sucesso na voz de Adriana Calcanhotto, composto pela dupla Claudinho & Buchecha.
O primo das crianças, Wadi Ibrahim Neto, de 38 anos, professor de música, está internado há mais de um mês por conta de insuficiência renal. Ao g1, ele contou que ficou muito surpreso com a serenta.
"Eu realmente não esperava essa surpresa, apesar de ter um relacionamento muito profundo com essas crianças. Sou muito grato a Deus pelas vidas das crianças", disse.
Para Wadi, o momento inesperado mostrou o quanto a presença dele é importante para as crianças da família. Ao todo, oito primos participaram da organização, mas apenas sete estiveram presente no momento da serenata.
"Isso me mostrou que a presença vale mais que as coisas materiais. Dedicar tempo às crianças, se interessar pelo o que elas gostam e estar presente com elas, de fato, é mais valioso e impactante do que as coisas materiais", relatou.
A surpresa - A rotina de Wadi mudou completamente nos últimos dias após o diagnóstico da doença. Ele conta que o período tem sido marcado por ansiedade, medo e apreensão para toda a família. Apesar disso, segue confiante no tratamento e acredita que em breve poderá receber alta hospitalar.
Por causa do tratamento, Wadi precisou permanecer internado por vários dias e acabou se afastando dos primos, com quem mantinha uma convivência frequente. Segundo a esposa dele, Rebeca Blume Almeida Ibrahim, de 34 anos, a família costumava se reunir todos os fins de semana.
"As crianças ficaram nervosas, com muita saudade de brincar e ver o Wadi. Foi então que duas primas dele tiveram a ideia de fazer essa homenagem para que as crianças pudessem matar um pouco da saudade e ainda deixar as declarações de amor", explicou Rebeca.
Segundo Rebeca, a surpresa contou com a participação dos primos Conrado e Aurora, ambos de um ano; Caio, de seis anos; Antônia, Igor e Cecília, de oito anos; e Clara, de 11 anos.
O grupo passou um dia fazendo os cartazes e cartas e ensaiando a apresentação da música, que foi escolhida por causa da letra, que transmite sentimentos de acolhimento e esperança.
"Mesmo quando alguém não está fisicamente presente, o amor e a presença permanecem", observou Rebeca.
Em um dos cartazes, as crianças relatam a saudade que sentem do primo, carinhosamente chamado por elas de "tio", e das brincadeiras que costumavam fazer juntos. Ao final da mensagem, desejam uma rápida recuperação e dizem estar ansiosas para que ele possa voltar para casa.
Wadi e Rebeca contaram ao g1 que se emocionaram com os cartazes, que refletem o carinho e as lembranças que as crianças guardam dos momentos vividos com o "tio". Para eles, a surpresa tornou o período de tratamento mais leve e reforçou o quanto ele é cercado de amor e afeto.
"Eu já sabia da surpresa, ficava em contato com as primas para alinharmos o melhor dia, onde ele estaria disponível e não passaria pela hemodiálise. Desde o começo fiquei muito empolgada e ansiosa para o dia chegar logo", compartilhou Rebeca.
Tratamento renal - Por causa do tratamento renal, Wadi precisou se afastar do trabalho na área da música e de outros projetos que estava iniciando.
"Eu sinto muita falta dos meus alunos e companheiros de trabalho. Tive que fazer uma pausa para conseguir reorganizar a minha vida. Meu tratamento iria exigir muito de mim. Está sendo bem desafiador", disse.
Rebeca contou que a internação foi um momento de grande apreensão para a família. Segundo ela, o diagnóstico inesperado abalou o casal, e os dois levaram alguns dias para assimilar tudo o que estava acontecendo.
"Wadi sempre foi um cara do bem, tranquilo e sereno. Em nenhum momento ele reclamou, questionou ou murmurou o motivo de estar passando por tudo isso, no auge de tantos planos, sendo tão jovem. Ele é muito otimista, crê na cura e tem esperança nos tratamentos", declarou Rebeca.
Atualmente, Wadi está em tratamento com sessões de hemodiálise e aguarda na fila por um transplante de rim.
"Estamos muito otimistas e aguardando os exames de compatibilidade do transplante renal", concluiu Rebeca.
Por Pâmela Beker*, g1 Itapetininga e Região