Presidente da ONG Rio Pardo Vivo, Luiz Carlos Cavalchuki, apresentou projeto com mais de 15 anos de atuação e colocou entidade à disposição para desenvolver ações no município
O Rotary Club de Fartura realizou, no dia 29 de setembro, uma reunião na Acif (Associação Comercial e Industrial de Fartura) voltada à preservação ambiental e à recuperação de nascentes. O encontro contou com a participação do presidente da ONG Rio Pardo Vivo, Luiz Carlos Cavalchuki, que apresentou o trabalho desenvolvido pela entidade e discutiu a possibilidade de levar ao município ações voltadas à proteção dos recursos hídricos.
Também participaram a presidente do Rotary Club de Fartura, Daniela Viana, e membros da entidade. O Rotary Club de Taquarituba, padrinho na formação do grupo farturense, esteve representado pelo diretor de protocolo Nelson Pirilha, por Georgina Costa de Oliveira Silva, que acompanham de perto o processo de criação do clube em Fartura.
Durante a reunião, Luizinho apresentou a trajetória da ONG Rio Pardo Vivo, criada há cerca de 20 anos para atuar na defesa do meio ambiente na região da bacia do Rio Pardo. Ele contou que trabalha há 36 anos na Sabesp, na área de produção de água e esgoto, e que, paralelamente à atividade profissional, desenvolve ações ambientais por meio da organização.
A atuação da ONG, segundo ele, começou concentrada na bacia do Rio Pardo e vem sendo ampliada para a região do Paranapanema. Entre os trabalhos desenvolvidos está o Projeto Nascentes, criado a partir das crises hídricas que atingiram a região e direcionado principalmente às pequenas propriedades rurais.
Luizinho explicou que o projeto tem como objetivo levar a recuperação ambiental até o pequeno produtor rural, justamente onde estão muitas das nascentes das bacias hidrográficas. Para isso, a ONG busca mudas por meio de comitês de bacias, consórcios e parcerias com empresas e trabalha para que elas cheguem às propriedades que necessitam de recuperação.
De acordo com os dados apresentados durante a palestra, o projeto já acumula cerca de 15 anos de atuação, com mais de 750 mil árvores plantadas nas bacias do Rio Pardo e do Paranapanema e mais de 500 nascentes recuperadas.
Recuperação depende de parceria - Para Luizinho, entretanto, o trabalho não termina com a entrega das mudas. A principal dificuldade está em conseguir a adesão dos proprietários rurais e construir uma relação de confiança para que as ações sejam efetivamente realizadas.
“O mais difícil não é doar a muda, é ganhar as pessoas e fazer com que elas participem. O produtor rural precisa entender o porquê daquilo. Quando ele percebe e vê as condições da nascente, ele fica entusiasmado. É uma reestruturação da propriedade rural dele.”, explicou.
Durante a palestra, ele também falou sobre as dificuldades enfrentadas por pequenos produtores para realizar adequações ambientais nas propriedades. Citou o Cadastro Ambiental Rural (CAR), que permite o mapeamento das propriedades e das situações que precisam ser regularizadas, e ressaltou que a identificação do problema não significa que o proprietário tenha condições de executar sozinho todas as ações necessárias.
Nesse cenário, segundo ele, a atuação conjunta entre entidades, poder público, produtores e comunidade pode facilitar a recuperação das áreas.
“Nós temos que fazer uma parceria, buscando e mostrando o porquê daquilo. Aí eu garanto para vocês que as coisas, o início, o meio e o fim, são muito importantes.”, afirmou.
Luiz Carlos também destacou a qualidade da água de Fartura e ressaltou a estrutura de tratamento existente no município, apontando que a cidade conta com um sistema de tratamento de água de alto nível. Para ele, a preservação das nascentes é fundamental para manter esse patrimônio hídrico e garantir a qualidade e a disponibilidade da água no futuro.
Possibilidade de projeto em Fartura - Durante o encontro, Luiz Carlos colocou a estrutura da Rio Pardo Vivo à disposição de Fartura. Entre as possibilidades apresentadas estão o levantamento e mapeamento das áreas que precisam de recuperação, a aproximação com os proprietários rurais e o desenvolvimento de projetos específicos para cada propriedade.
“Eu faço questão de também estar ajudando vocês. Se vocês quiserem que eu faça um mapa, que eu participe da negociação com o produtor rural, da nascente, da ação do Ribeirão, eu estou à disposição. As mudas são todas catalogadas, todo o trabalho é feito de forma organizada e profissional”, destacou.
A ideia é que o trabalho seja construído a partir da identificação das áreas prioritárias e da mobilização dos proprietários. Luiz Carlos ressaltou que não é necessário começar com grandes números de mudas, mas com ações que possam ser efetivamente executadas e acompanhadas.
Ele também defendeu o envolvimento da comunidade nas atividades. Em experiências realizadas pela ONG, escolas, grupos da terceira idade e outros segmentos participam dos plantios, transformando a recuperação ambiental também em uma oportunidade de educação e conscientização.
Para ele, a participação da sociedade ajuda a fazer com que o trabalho não fique restrito ao produtor rural ou às entidades envolvidas, mas passe a ser compreendido como uma responsabilidade coletiva.
Ao final, Luizinho reforçou sua disposição em retornar a Fartura para acompanhar ou participar das ações que eventualmente forem desenvolvidas.
A reunião abriu uma possibilidade de aproximação entre o Rotary Club de Fartura e a ONG Rio Pardo Vivo para a construção de futuras ações de recuperação ambiental no município, com foco na proteção de nascentes e no apoio aos proprietários rurais.