No Dia Mundial de Combate ao Câncer, histórias reais mostram que, além do tratamento, o que sustenta a esperança é o acolhimento, o cuidado e a presença de quem não solta a mão
O Dia Mundial de Combate ao Câncer, celebrado em 8 de abril, é mais do que uma data no calendário. É um chamado à conscientização sobre a prevenção e o enfrentamento de uma das doenças que mais mata no mundo: o câncer, também conhecido como neoplasia.
Em Avaré, essa luta ganha rosto, nome e história dentro da Abova, a Associação Beneficente Oncológica Voluntários de Avaré. Há mais de uma década, a entidade sem fins lucrativos, reconhecida como de utilidade pública, transforma vidas com acolhimento, orientação e cuidado contínuo.
Mais de 1.559 pacientes atendimentos somente em 2025 - entre crianças, homens e mulheres - que encontraram na Abova não apenas suporte, mas um verdadeiro refúgio em meio ao tratamento. É ali que histórias como a do senhor Carlos Suman ganham significado ainda mais profundo. Durante as sessões de fisioterapia, ele não está sozinho. Ao seu lado, a esposa Angélica Suman acompanha cada movimento, cada exercício, cada avanço. Mais do que apoio, ela compartilha a caminhada. Juntos, mostram que, muitas vezes, o tratamento mais poderoso também vem do amor, do carinho e da presença constante da família.
A fisioterapeuta voluntária Kleisciane de Fátima acompanha esse processo de perto, assim como Sandra Scarcelli, voluntária há 15 anos e integrante da diretoria, que dedica parte da sua vida ao cuidado com o próximo.
A Abova vai além do atendimento clínico. É um espaço de proteção social e acolhimento integral. Os pacientes recebem apoio psicológico, orientação sobre benefícios sociais, atendimento com nutricionista, fisioterapia, pilates, além de participarem de rodas de conversa, atividades como artesanato e cromoterapia - momentos que fortalecem não só o corpo, mas também a mente e o espírito.
Outro gesto que traduz dignidade é o cuidado com a autoestima. A associação arrecada cabelos e confecciona perucas, devolvendo aos pacientes algo essencial durante o tratamento: o reconhecimento de si mesmos no espelho.
A estrutura da Abova também carrega marcas de solidariedade. O consultório odontológico foi viabilizado por meio de doação da OAB de Avaré. Já os casos mais complexos são encaminhados para a UNIFSP, parceira da entidade.
Na linha de frente do acolhimento social estão Evelise e Beatriz, assistentes sociais que orientam e acompanham cada paciente em suas necessidades.
Tudo isso só é possível graças a uma rede de aproximadamente 30 voluntários e à solidariedade da comunidade. A Abova sobrevive de doações - roupas, objetos e utensílios que são arrecadados, organizados e vendidos a preços acessíveis em um bazar. A renda ajuda na manutenção da entidade e, também gera oportunidade para pessoas em situação de vulnerabilidade, que encontram ali uma forma digna de sustento.
E a solidariedade continua se multiplicando. A associação prepara um leilão beneficente durante a festa de São Peregrino, que será dia 31 de maio, no Recinto da Emapa, com itens doados, para arrecadar recursos destinados à construção da tão sonhada sede própria.
Neste 8 de abril, mais do que lembrar a importância da prevenção, Avaré reconhece o valor de quem transforma a dor em acolhimento, o medo em esperança e o tratamento em um caminho compartilhado. Porque, na luta contra o câncer, ninguém deveria caminhar sozinho.
- Avaré