Estudo preliminar aponta necessidade de intervenção no Jardim da Serra 1 e 2, Marli Meneguel e Avenida das Rosas; proposta prevê operação de crédito e ainda será analisada pela Câmara
A Prefeitura de Fartura apresentou, durante audiência pública nesta semana, um estudo preliminar para solucionar os problemas de pavimentação enfrentados pelos moradores dos bairros Jardim da Serra 1, Jardim da Serra 2, Marli Meneguel e de trechos da Avenida das Rosas. A proposta discutida prevê a contratação de financiamento, cuja operação poderá chegar a aproximadamente R$ 20 milhões, sendo cerca de R$ 15 milhões destinados às intervenções na região.
O levantamento é inicial e teve como objetivo identificar e compreender a dimensão do problema, no intuito de estabelecer uma ordem de grandeza do investimento.
A audiência teve caráter de apresentação e discussão da proposta. O financiamento ainda dependerá de análise e autorização do Legislativo, e vereadores informaram que deverão solicitar documentos complementares antes de uma eventual votação.
Durante a apresentação técnica, a secretária de Urbanismo e Habitação, Maria Júlia Maset, explicou que o levantamento realizado pela Prefeitura mostrou que o problema existente nos bairros não se limita às lajotas. Sondagens identificaram características do solo que exigem intervenções na base da pavimentação, enquanto testes realizados em amostras de lajotas apontaram resistência abaixo do mínimo exigido pela norma para pavimentação.
Também foram constatados problemas relacionados à drenagem. Em alguns trechos, especialmente nas áreas que recebem maior volume de águas pluviais, serão necessárias intervenções mais profundas. A Avenida das Rosas foi apontada como um dos pontos mais críticos, podendo exigir a implantação de drenagem profunda e novas galerias.
Segundo apresentado durante a audiência, a região reúne aproximadamente 898 imóveis afetados pelos problemas. A administração defendeu uma intervenção definitiva, evitando reparos pontuais que não solucionem as causas estruturais.
Financiamento - A estimativa inicial é de aproximadamente R$ 15 milhões para as intervenções de pavimentação. A Prefeitura, porém, apresentou a possibilidade de uma operação de crédito de aproximadamente R$ 20 milhões junto à Caixa Econômica Federal. Além das obras nos bairros, a proposta prevê recursos para outras demandas do município, entre elas a terraplanagem do Distrito Industrial e a aquisição de um ônibus zero quilômetro e três ambulâncias para a Saúde.
O prefeito Marcão do Haras explicou que a abertura do crédito não significa necessariamente a utilização integral do valor autorizado. O montante efetivamente contratado dependerá do projeto executivo, da licitação e do cronograma da obra. Caso o custo final seja inferior à estimativa, a Prefeitura utilizaria somente o necessário.
A administração também informou que os recursos seriam liberados conforme o andamento dos serviços, e que as lajotas retiradas seriam reaproveitadas no Recinto da Expofar. Desta forma, se parte do investimento for viabilizada posteriormente por meio de emendas ou outras fontes, o município poderá reduzir o montante utilizado do financiamento.
Impacto no orçamento - Um dos principais pontos levantados pelos vereadores foi o impacto das parcelas sobre as contas municipais nos próximos anos. Conforme a simulação discutida na audiência, os primeiros anos de amortização concentrariam valores maiores.
Ao responder aos questionamentos, o prefeito reconheceu que, especialmente em 2028, 2029 e 2030, o município poderá precisar reduzir despesas e investimentos em outras áreas não essenciais para comportar os pagamentos. Para 2028, foi citado um desembolso próximo de R$ 4 milhões no ano, considerando o cenário apresentado.
Por outro lado, a administração ressaltou que a simulação considera um cenário de utilização dos recursos e que os valores poderão diminuir caso o município não precise utilizar todo o crédito disponível.
Os vereadores também questionaram a possibilidade de executar as obras em etapas. A equipe técnica explicou que a execução poderá ser faseada, porém o projeto precisa considerar toda a região, já que as intervenções de drenagem e pavimentação estão interligadas e determinadas etapas dependem umas das outras.
Segundo a Prefeitura, além dos técnicos municipais, deverá ser contratada empresa especializada para acompanhar a execução e realizar ensaios de solo e controle da compactação durante os serviços.
A administração alertou ainda que se trata de uma obra de grande complexidade, que poderá provocar transtornos temporários aos moradores, como dificuldades de acesso às residências, escavações, intervenções em calçadas e eventuais problemas em redes existentes durante a execução.
Câmara pedirá estudos - Foi anunciada pelos vereadores a intenção de encaminhar ofício à Prefeitura solicitando informações técnicas e financeiras que permitam avaliar o impacto da operação. A Prefeitura afirmou que disponibilizará os documentos existentes, ressaltando que parte das informações mais detalhadas ainda dependerá da elaboração do projeto executivo. O debate também abordou alternativas para reduzir a necessidade de recursos financiados, entre elas a busca de emendas parlamentares ao longo do período de execução da obra.
Em determinado momento, um morador da região explicou que o lajotamento anterior, também discutido e votado junto aos moradores na ocasião, mostrou-se problemático atualmente, apoiando a proposta do Executivo farturense durante sua participação. A recuperação nos bairros em questão, portanto, foi reconhecida durante o encontro como uma necessidade, enquanto o tamanho da operação de crédito, seu impacto nas contas públicas e a forma de execução deverão continuar no centro das discussões antes de uma decisão definitiva.