Jornal O Sudoeste

Operação Stalker: DIG de Avaré investiga homem por cyberstalking, ameaças e importunação sexual

Polícia Civil cumpre mandado de busca em Hortolândia e apreende celular de suspeito de perseguir mulher de 43 anos com mensagens ameaçadoras e conteúdos sexuais; investigado admitiu o envio de imagens íntimas.
5 de novembro de 2026, às 12h38 Avaré, Polícia Setor de Comunicação Social da Delegacia Seccional de Polícia de Avaré
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A Polícia Civil, por intermédio da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Avaré, deflagrou, na manhã desta quinta-feira (5/11), a Operação Stalker, na região de Campinas, para investigar crimes de ameaça, importunação sexual e perseguição virtual, conhecida como cyberstalking. A ação resultou no cumprimento de um mandado judicial de busca e apreensão domiciliar na residência de um homem de 36 anos, localizada em Hortolândia (SP), onde os policiais apreenderam um aparelho celular de sua propriedade. O dispositivo poderá fornecer elementos importantes para o esclarecimento dos fatos e a continuidade das investigações.

A operação é resultado de investigação conduzida pela DIG de Avaré após uma mulher de 43 anos procurar a Polícia Civil, em julho deste ano, relatando que vinha sendo importunada reiteradamente por mensagens recebidas pela internet. Segundo a vítima, os contatos indesejados, realizados principalmente pelo aplicativo Messenger, do Facebook, passaram a incluir propostas de natureza sexual, ofensas e ameaças de agressão física. A insistência das abordagens e o conteúdo intimidatório das mensagens provocaram abalo psicológico, comprometendo sua tranquilidade e causando temor por sua integridade física.

Conforme apurado pelos investigadores, o suspeito utilizava um perfil na rede social para estabelecer contato frequente com a vítima, mesmo diante da ausência de reciprocidade e da rejeição às investidas. As mensagens apresentavam conteúdo sexual explícito, incluindo o envio de fotografias íntimas e vídeos em que o homem aparecia praticando atos de natureza sexual. Em uma das manifestações relatadas à Polícia, o interlocutor teria ameaçado agredir fisicamente a mulher. A vítima preservou registros das conversas e dos arquivos recebidos, inclusive conteúdos disponibilizados para visualização única, posteriormente apresentados aos investigadores.

Durante as diligências, a equipe da DIG realizou levantamentos técnicos e requisitou informações cadastrais à empresa responsável pelo Facebook e à operadora de telefonia vinculada ao perfil investigado. O cruzamento dos dados, associado à análise de imagens e outros elementos informativos, permitiu identificar o suspeito e estabelecer sua possível ligação com as mensagens encaminhadas à vítima. Com base nos indícios reunidos, a Polícia Civil representou pela expedição de mandado judicial de busca e apreensão, cumprido nesta quinta-feira em Hortolândia.

Em declarações prestadas aos policiais durante a operação, o investigado, que é casado, tem filhos e trabalha como gerente de uma loja de aparelhos celulares, admitiu ter mantido conversas com a vítima e enviado fotografias íntimas, conhecidas como nudes. Segundo seu relato, costumava instalar o aplicativo Messenger para realizar os contatos e, posteriormente, desinstalá-lo do aparelho, com a finalidade de impedir que sua esposa descobrisse as interações. O homem também afirmou que já havia adotado comportamento semelhante em contatos com outras mulheres, circunstância que poderá ser objeto de aprofundamento investigativo.

Apesar de reconhecer a autoria das conversas e o envio dos conteúdos íntimos, o investigado negou ter ameaçado a vítima. Em sua versão, as mensagens possuíam exclusivamente conotação sexual, sem intenção de intimidá-la ou causar-lhe qualquer dano. As declarações serão confrontadas com os registros eletrônicos, depoimentos e demais elementos reunidos durante a apuração. O aparelho celular apreendido, da marca Apple, foi formalmente recolhido para subsidiar as diligências destinadas à identificação de eventuais vestígios digitais relacionados aos fatos investigados.

As investigações prosseguem sob responsabilidade da Delegacia de Investigações Gerais de Avaré, que busca esclarecer integralmente a dinâmica das condutas, a extensão dos contatos realizados e a eventual existência de outras vítimas. O procedimento apura, em tese, os crimes de ameaça, importunação sexual e perseguição reiterada por meio eletrônico (cyberstalking), observada a adequada tipificação jurídica dos fatos. A Polícia Civil dará continuidade à análise dos elementos probatórios para o completo esclarecimento do caso e a adoção das medidas de polícia judiciária cabíveis.

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