Mapas nas mãos, atenção redobrada e um desafio pela frente: encontrar os pontos de controle espalhados pelo percurso utilizando apenas o senso de direção e a capacidade de interpretar informações.
Foi assim que 104 adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa no centro da Fundação CASA Três Rios, localizado em Iaras, no interior paulista, participaram, na última quarta-feira (28/10), de uma competição amistosa de corrida de orientação, modalidade esportiva até então inédita.
A iniciativa foi desenvolvida por meio de uma parceria entre o agente de apoio socioeducativo Genivaldo Paulino, praticante da modalidade, e a professora de Educação Física do ensino formal, Maria Antonia Bastos, da E.E Dr. Avelino Aparecido Ribeiro, que a escola vinculadora do centro socioeducativo. A atividade contou ainda com a colaboração dos demais docentes, que acompanharam e incentivaram os adolescentes durante as provas.
A corrida de orientação é uma modalidade esportiva na qual os participantes precisam percorrer um trajeto previamente estabelecido, utilizando exclusivamente um mapa para localizar pontos de controle, sem o auxílio de ferramentas tecnológicas, como GPS. Além da resistência física, a prática exige concentração, interpretação de mapas e capacidade de tomar decisões ao longo do percurso
Para adaptar a competição à estrutura do CASA Três Rios, Genivaldo Paulino elaborou quatro mapas com percursos específicos para cada um dos espaços socioeducativos do centro. Cada trajeto possuí dez pontos de controle, sinalizados por prismas de orientação, que deveriam ser encontrados pelos participantes na sequência indicada. Ao chegar a cada ponto, os adolescentes utilizavam um picotador para registrar a passagem e comprovar a conclusão daquela etapa.
A competição foi organizada em turmas, permitindo que todos os adolescentes participassem da experiência. Cada atividade teve duração aproximada de uma hora, incluindo as orientações iniciais sobre a leitura dos mapas, a realização dos percursos e o encerramento das provas.
Praticante assíduo da corrida de orientação e com experiência na modalidade, Genivaldo Paulino, auxiliou os adolescentes na compreensão das regras e na execução dos percursos, despertando o interesse dos participantes por uma prática esportiva diferente das modalidades convencionais.
“Foi muito gratificante compartilhar com os adolescentes um esporte que faz parte da minha vida. A corrida de orientação vai muito além da atividade física, porque exige atenção, estratégia e confiança nas próprias decisões. Ver o envolvimento dos jovens, a maneira como compreenderam os mapas e a satisfação de cada um ao completar o percurso mostrou o potencial educativo dessa modalidade”, destacou o colaborador.
A experiência foi recebida com entusiasmo pelos adolescentes, que demonstraram interesse em participar de novas edições da competição, inclusive durante o período de férias escolares.
Para a coordenadora pedagógica do CASA Três Rios, Juliana Castro Barbosa, a iniciativa demonstra como a integração entre diferentes equipes pode ampliar as possibilidades de aprendizagem no ambiente socioeducativo.
“Foi uma atividade incrível, que encantou os adolescentes e os profissionais envolvidos. Tivemos a participação, a ajuda e a torcida dos professores, e tudo aconteceu de maneira muito organizada. Os jovens gostaram tanto que já pediram para repetir a experiência”, afirmou Juliana.
O presidente da Fundação CASA, Acacio Miranda, ressalta a importância de diversificar as práticas esportivas oferecidas aos adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa.
“O esporte é uma ferramenta importante no processo socioeducativo, especialmente quando proporciona experiências que estimulam a autonomia e a capacidade de superar desafios”, destacou.
Sobre a Fundação CASA
A Fundação CASA, vinculada à Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania, aplica medidas socioeducativas conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE). Atendendo jovens de 12 a 21 anos incompletos em São Paulo, a Fundação executa medidas de privação de liberdade e semiliberdade, determinadas pelo Poder Judiciário, garantindo os direitos previstos em lei, pautando-se na humanização, e contribuindo para o retorno do adolescente ao convívio social. Mais informações em: https://fundacaocasa.sp.gov.br/.