Reconhecer as habilidades de cada criança, respeitar seu ritmo de aprendizagem e oferecer estratégias para seu desenvolvimento são princípios que orientam o trabalho do Centro Municipal de Atendimento Educacional Especializado (CMAEE), em Fartura. O serviço acompanha cerca de 65 alunos e busca contribuir para a aprendizagem e a participação de cada um no ambiente escolar.
O atendimento é planejado de acordo com as necessidades pedagógicas dos estudantes. A frequência varia conforme cada caso, podendo envolver um ou dois encontros semanais, com duração aproximada de uma hora. Durante as atividades, as profissionais trabalham habilidades específicas que podem contribuir para o desenvolvimento e para a participação das crianças nas atividades escolares.
O trabalho realizado no CMAEE vai além do reforço escolar. A proposta é identificar quais habilidades precisam ser desenvolvidas e, ao mesmo tempo, reconhecer aquilo que cada criança já consegue fazer. A partir desse olhar, são definidas estratégias para estimular novas conquistas e ampliar as possibilidades de aprendizagem.
Cada estudante tem seu próprio ritmo, e os avanços nem sempre acontecem da mesma maneira. Por isso, o acompanhamento exige observação, paciência e planejamento. As profissionais procuram valorizar cada conquista, respeitando as particularidades dos alunos e incentivando sua autonomia.
A atuação também envolve parceria com os professores das escolas municipais. O diálogo entre os profissionais permite compreender melhor as dificuldades encontradas em sala de aula e buscar alternativas que favoreçam a aprendizagem. Essa troca contribui para que as estratégias adotadas considerem as necessidades de cada estudante e sua participação no cotidiano escolar.
Outro aspecto importante é o fortalecimento da autoestima. Ao reconhecer suas capacidades e perceber os próprios avanços, a criança pode desenvolver mais confiança para enfrentar desafios. A proposta é mostrar que dificuldades não definem o potencial de um aluno e que diferentes formas de aprender precisam ser respeitadas.
O trabalho também passa pelo enfrentamento do preconceito e do capacitismo, com a valorização das pessoas com deficiência e o reconhecimento de suas capacidades. A inclusão exige não apenas oferecer atendimento especializado, mas também construir ambientes escolares mais acolhedores, nos quais cada criança tenha oportunidades de participar e aprender.
Dessa forma, o CMAEE desempenha um papel importante no apoio ao desenvolvimento dos estudantes e na construção de uma educação que reconheça as diferenças e valorize as potencialidades individuais. O acompanhamento busca contribuir para que cada criança avance em seu próprio caminho, com respeito às suas necessidades e oportunidades para desenvolver suas habilidades.
Equipe do CMAEE atua de forma integrada para apoiar o desenvolvimento das crianças
A equipe do Centro Municipal de Atendimento e Educação Especializado (CMAEE) é formada por profissionais de diferentes áreas, que trabalham de maneira integrada para acompanhar o desenvolvimento das crianças atendidas pelo serviço. Com atuação voltada às necessidades individuais de cada aluno, os profissionais utilizam estratégias e recursos específicos para estimular habilidades, favorecer a autonomia e contribuir para o processo de aprendizagem.
Conheça um pouco da trajetória, da atuação e do olhar de cada integrante da equipe sobre o trabalho desenvolvido com as crianças e suas famílias.
Ana Paula Mazeto
Terapeuta Ocupacional
Ingressei na Terapia Ocupacional com o propósito de contribuir para a qualidade de vida da população idosa. Ao longo da minha trajetória profissional, porém, desenvolvi um interesse especial pelo atendimento a crianças com necessidades específicas de desenvolvimento.
O que mais me motiva é contribuir para a autonomia e a independência das crianças nas atividades da vida diária, respeitando suas individualidades, potencialidades e necessidades. Acredito que uma abordagem terapêutica individualizada pode favorecer o desenvolvimento de habilidades funcionais e proporcionar mais qualidade de vida às crianças e suas famílias.
Uma das experiências mais marcantes da minha carreira foi acompanhar uma criança com seletividade alimentar significativa, que já apresentava repercussões na saúde. Por meio de intervenções terapêuticas e da participação da família, foi possível ampliar gradualmente a aceitação de novos alimentos, representando um avanço importante para seu desenvolvimento e bem-estar.
Para mim, acompanhar essas conquistas é extremamente gratificante. Cada avanço, por menor que pareça, representa um passo em direção à autonomia e à independência. É essa possibilidade de reconhecer potencialidades, respeitar o tempo de cada criança e contribuir para seu desenvolvimento que dá sentido à minha atuação profissional.
Fernanda dos santos Mendes
Professora de Educação Especial
Sou filha de pais humildes e analfabetos, e minha mãe sempre me ensinou que a educação era o caminho para conquistar oportunidades na vida. Ao terminar o ensino médio, prestei vestibular para História na Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), escolhendo um curso pelo qual tinha interesse e que poderia realizar em uma instituição pública. Depois, fiz pós-graduação em Educação Especial Inclusiva.
Minha trajetória com crianças com deficiência começou em 2015, quando assumi o cargo na EMEF Professor Miguel de Góes Vieira, em Fartura. Fui muito bem acolhida e, junto aos demais profissionais da escola, construí uma história de aprendizado e aprimoramento das práticas de inclusão.
Uma das experiências que mais me transformaram aconteceu no início da minha atuação na Educação Especial, quando levei um soco de um aluno. A situação me fez refletir sobre a forma como eu enxergava as pessoas com deficiência. Até então, percebia que meu sentimento de dó acabava colocando essas crianças em uma posição de fragilidade. Entendi que precisava olhar primeiro para a criança, reconhecendo suas potencialidades, dificuldades e individualidade, sem deixar que a deficiência definisse quem ela é.
Acredito que a educação é fundamental para a autonomia, seja para aprender a ler e escrever, reconhecer o próprio nome ou lidar com o dinheiro. Ser professora de Educação Especial, na escola regular ou em centros especializados, significa acompanhar conquistas e desafios de crianças e famílias. Ao longo desses anos, aprendi que cada criança tem seu tempo e suas formas de aprender, e poder contribuir para esse processo é uma das maiores realizações da minha profissão.
Síntique Ferreira da Silva
Psicóloga
Meu interesse pelo trabalho com crianças surgiu ainda na faculdade, por meio das trocas com colegas que atuavam em clínicas multidisciplinares. Minha trajetória profissional com crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) começou em março de 2024, após minha formação, no Espaço Junior — Centro de Intervenção Precoce Especializado em Autismo, em Santa Catarina. Desde então, busco aprimorar meus conhecimentos para oferecer um atendimento cada vez melhor.
Uma das maiores satisfações do meu trabalho é contribuir para o desenvolvimento das crianças e acompanhar suas conquistas. Acredito que o vínculo, o afeto e a cooperação são fundamentais para construir um ambiente acolhedor, que favoreça a aprendizagem. Também valorizo as trocas que acontecem nessa relação, porque acredito que aprendemos muito com cada criança.
Os pequenos gestos do cotidiano tornam essa experiência especial, como receber um “eu te amo”, um recadinho ou uma flor. Também é gratificante ouvir das famílias, durante as devolutivas, os relatos sobre os avanços dos filhos. São momentos que reforçam o significado do meu trabalho.
Contribuir para o desenvolvimento infantil também significa promover a inclusão, respeitando as diferenças e a subjetividade de cada criança. Acolher as famílias e oferecer apoio diante dos desafios relacionados ao diagnóstico de um filho atípico é parte importante desse processo. Minha própria vivência como profissional neurodivergente torna essa atuação ainda mais significativa. Acredito que cada criança tem sua maneira de aprender e se relacionar com o mundo, e acompanhar esse percurso, celebrando cada conquista, é o que torna minha profissão tão especial.
Josemara Leite de Oliveira
Professora de Educação Especial
Atuo como professora do Atendimento Educacional Especializado (AEE) e gosto muito de estar perto das crianças que, por diferentes motivos, precisam de apoio em seu processo de aprendizagem. Acredito na importância de oferecer oportunidades para que cada uma desenvolva suas habilidades e descubra aquilo de que é capaz.
Uma das experiências mais marcantes da minha trajetória foi acompanhar uma criança que, inicialmente, parecia distante das expectativas tradicionais de aprendizagem. Ao longo do atendimento, ela conseguiu superar as expectativas da família e da escola, mostrando avanços que talvez muitos não imaginassem. Costumo dizer que essa criança rompeu o casulo em que vivia e revelou suas possibilidades de desenvolvimento.
Um dos meus grandes desafios é contribuir para que as crianças reconheçam, no ambiente escolar, aquilo que já aprenderam no AEE. Em um contexto em que os estudantes também são avaliados por indicadores de desempenho, considero importante respeitar seus processos individuais e valorizar cada conquista.
Para mim, ser professora é sonhar com o sonho do outro. É acreditar nas possibilidades de cada criança, oferecer apoio para que avance em seu próprio ritmo e ajudá-la a perceber que é capaz de aprender. Acompanhar esse percurso e fazer parte de suas conquistas é o que torna meu trabalho tão significativo.
Patrícia Rodrigues dos Santos
Professora de Educação Especial (Atendimento Educacional Especializado)
Minha trajetória na Educação Especial começou de forma inesperada. Na época, eu atuava como professora regente quando surgiu a oportunidade de substituir uma professora do Atendimento Educacional Especializado (AEE). Depois, também fui convidada para trabalhar em uma sala de intervenção, experiência que despertou meu interesse pela área. Na Escola Pedro Soldera, em Taguaí, encontrei apoio e incentivo para seguir esse caminho profissional.
Em 2024, assumi um concurso público no município e iniciei minha atuação no AEE no CEI Ângela Carvalho Louvison, escola que acolheu com carinho e respeito a implantação da sala de atendimento. Nesse espaço, começamos a atender alunos da Educação Infantil e construímos uma trajetória repleta de experiências significativas. Permaneci na unidade até a transferência dos atendimentos para o Centro Municipal de Atendimento Educacional Especializado (CMAEE).
O que mais gosto no meu trabalho é acompanhar o desenvolvimento de cada criança, respeitando seu ritmo, suas particularidades e suas potencialidades. Por meio de atividades lúdicas, recursos de acessibilidade e estratégias individualizadas, procuro favorecer a aprendizagem, a comunicação, a autonomia e a participação dos alunos.
Uma das experiências mais marcantes aconteceu em 2021, durante o atendimento à minha primeira aluna com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Naquele dia, ela estabeleceu o primeiro contato visual comigo, um momento que me emocionou profundamente por representar a construção de um vínculo. Essa pequena conquista me fez perceber ainda mais a importância da confiança, do acolhimento e do respeito ao tempo de cada criança.
Para mim, contribuir para o desenvolvimento infantil significa acreditar nas possibilidades de cada aluno, oferecer oportunidades e criar condições para que aprenda, se expresse e conquiste autonomia. É compreender que cada criança tem seu próprio caminho e que nosso papel é acolher, orientar e incentivar suas descobertas, valorizando cada avanço. Mais do que ensinar, é participar de um processo de transformação que também nos ensina e nos torna profissionais e pessoas melhores.